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01/06/2001

Avaliação para tratamento e disposição em solo

Com o advento da Revolução Industrial e o espantoso crescimento populacional sobre a Terra, o planeta experimentou sérias alterações, muitas delas consideradas danosas.

Entre estas está o aumento significativo da geração de resíduos sólidos, visto que isto é inerente ao ser vivo, principalmente ao homem, pois não existe vida ou processo produtivo que não gere resíduos.

A quantidade de resíduos gerada pelo homem praticamente dobrou nos últimos 20 anos. Além do aumento quantitativo ocorreu também diversificação na "qualidade" dos mesmos. Resíduos das mais variadas espécies são gerados continuamente nas diversas atividades antropogênicas desenvolvidas no planeta.

A avaliação conjugada do aumento populacional e de geração de resíduos faz com que o gerenciamento e a gestão adequados do caso torne-se um sério problema a ser enfrentado pelas entidades governamentais e não governamentais. Aqui uma interrogação aparece: para onde vai todo esse resíduo?

A proposta, atualmente em vigor, é a redução, a reutilização e a reciclagem (os 3 Rs) de resíduos e finalmente, os aterros sanitários e industriais aparecem como uma solução bastante favorável para aqueles que restarem desse processo.

No entanto, para muitos resíduos tratamentos prévios se fazem necessários antes de sua disposição final. Para outros, a possibilidade de disposição diretamente no solo, para uso de benefícios agronômicos ainda existente nos mesmos, vem sendo verificada por diversas linhas de pesquisas e por indústrias que começam a ver rentabilidade no assunto.

Neste contexto, o solo aparece como um atenuador de poluição, no qual o resíduo poderá ser tratado ou disposto de forma controlada, desde que traga algum benefício ao mesmo e não acarrete prejuízo à qualidade do ambiente como um todo.

Gerenciamento de resíduos sólidos

A geração de resíduo, como resultado da atividade humana, nos seus vários campos de atuação, é inevitável. No entanto, a quantificação e o destino final desses resíduos têm variado, não só ao longo dos tempos, mas também em função da cultura e do estágio de desenvolvimento dos povos que o geram.

No mundo moderno, torna-se imprescindível a convivência harmônica entre o desenvolvimento e o ambiente, visto que os atuais anseios mundiais de preservação geraram, consequentemente, outras exigências mercadológicas que pedem das indústrias maior adaptação aos modelos ambientais emergentes.

Exemplo dessa nova visão de mercado éo que diz a Agenda 21(1992) no tocante ao manejo dos resíduos gerados nas atividades produtivas. A Agenda destaca que o manejo ambientalmente saudável dos resíduos deve levar a mudanças dos padrões não sustentáveis de produção e consumo, ou seja, é preciso utilizar conceitos de manejos integrados com a proteção do ambiente.

Em resposta a essa tendência mundial, as últimas duas décadas presenciaram uma preocupação com as formas inadequadas de disposição de resíduos utilizadas no passado. Abordagens inovadoras no gerenciamento do caso vêm sendo desenvolvidas no presente, visando à preservação do planeta para as gerações futuras.

Os métodos tradicionais de disposição de resíduos diretamente no solo, ou em poços profundos ou a utilização dos mesmos para aterramento de erosões, passaram a dar espaço para a atual forma de gerenciamento que ressalta a necessidade de ação primeiramente na fonte geradora.

A ação gerencial deixa de ser no "end of pipe" e passa a obedecer uma seqúênda preferencialmente hierárquica que vai do não gerar á disposição final, passando sucessivamente pelo reduzir a geração, reciclar e tratar o resíduo. Atualmente, qualquer fonte geradora, quer domiciliar, pública ou industrial, se preocupa em aplicar o conceito dos 3Rs: Reduzir a geração, Recuperar e Reciclar.

No entanto, não obstante todas essas iniciativas, um resíduo final sempre restará, porque não há processo produtivo sem a geração de resíduos e a correta disposição final desse, sem a violação das qualidades do meio, muitas vezes compreende um prévio tratamento, visando a atenuação de seu potencial poluidor.

Tratar um resíduo pressupõe modificar suas características físicas, químicas e biológicas, sua composição e/ou suas propriedades em condições controladas, buscando a obtenção de um composto menos nocivo ao ambiente e/ou a diminuição das quantidades a serem finalmente dispostas. O tratamento de resíduos é uma etapa fundamental na atual tendência gerencial dos resíduos sólidos. No entanto, somente se poderá optar pelo mesmo após a sua caracterização qualitativa e quantitativa.

Atualmente, são conhecidas e utilizadas principalmente as formas de tratamento físico, destacando-se incineração que, muitas vezes, também, é vista como uma forma de destino final de resíduos.

Embora os tratamentos físicos sejam os mais conhecidos e estudados, os tratamentos biológicos para resíduos sólidos começam a ganhar espaço, principalmente aqueles realizados em solo e que visam utilizar os beneficio agronômicos.

Nos casos de tratamento de resíduos em solo, este muitas vezes passa a ser também o seu receptor final, visto que são ai ao mesmo tempo tratados e incorporados na forma de nutrientes para a multiplicação microbiana, na produção de humo e de micronutrientes (alguns íons presentes nos resíduos que podem solubilizar-se).

Nesse contexto, o solo passa a ter uma função decisiva no tratamento/disposição do resíduo.

Tratamento/disposição de resíduos em solo

A utilização de resíduos de plantas e de adubo animal na agricultura já era uma prática utilizada pelo homem desde a Pré-História. Adubo animal tem sido uma das principais fontes de fertilização agrícola naturais empregadas pelo homem. De forma muito rudimentar e sem preocupações ambientais, águas residuárias e resíduos sólidos são aplicados no solo desde períodos antes de Cristo.

A utilização de esgoto para a irrigação agrícola era prática comum no Leste Europeu, desde o século XVI. Tal procedimento era conhecido como "sewage farming" e foi reconhecido, nos anos de 1870, como uma forma de tratamento do efluente em solo.

O "sewage farming" também começou a ser utilizado nos EUA na mesma época. No entanto, atualmente não somente os resíduos de origem animal e vegetal têm sido usados, como também os de origem industrial.

Nos EUA, o tratamento de resíduo em solo foi reconhecido pela "Environmental Protection Agencys Oflice of Solid Waste", através do documento "Resource Conservation and Recovery Act" (RCRA, Lei Pú bílca 94:580), (USEPA, 1982), como uma das tecnologias de gerenciamento de resíduos.

No Brasil, a história do tratamento de resíduos em solo começou no final dos anos 70, com os resíduos oleosos de refinarias de petróleo, e posteriormente passou a ser utilizado por outras indústrias.

Esse tipo de tratmento ficou conhecido como "Sistema de Tratamento de Resíduos em Solo" (STRS). A sigla STRS foi adotada por falta de uma expressão mais adequada que definisse a palavra "landfarming" empregada nos EUA.

No entanto, ao longo dos anos percebeu-se que a adoção desse sistema, sem os devidos cuidados de manejo e operação, perdeu a sua finalidade inicial e ficou quase como que uma disposição final inadequada de resíduos diretamente no solo.

Os pesquisadores perceberam a necessidade de estudar-se melhor o assunto e de desenvolver métodos adequados para empreender com sucesso esse propósito. Algumas condições essenciais são exigidas. Com esse escopo, Fuíler & Warrich (1988) estabeleceram algumas diretrizes que são exigidas para o adequado tratamento/disposição de um resíduo no solo, das quais destacam-se:

- que o resíduo deve ser total ou parcialmente biodegradável;

-que os microrganismos autóctones do solo sobrevivam a taxas razoáveis e práticas de aplicação do resíduo;

-que o efeito tóxico a longo prazo, devida ao resíduo acumulado e à possível adsorção de fons no solo, possa ou ser prevenido ou mitigado;

-o uso de taxas de aplicação razoáveis e práticas que não causem poluição das águas subterrâneas por constituin tes tóxicos, nem permita que nenhuma substáncia tóxica entre na cadeia alimentar.

-que o custo do tratamento/disposição no solo comparado com outros tipos de tratamentos ou de disposição final de resíduos esteja dentro de limites razoáveis;

-que a aplicação do resíduo no solo leve às mesmas, ou maiores, condições de produtividade que as originais.

A Agência Ambiental Canadense (CCME, 1989), acrescentou outras condições necessárias para o tratamento de um resíduo no solo, como por exemplo, a necessidade de curtos período de aclimatação do resíduo no solo. Segundo esse órgào, longos períodos de aclimatação prejudicam a eficiência do processo e o tempo de reação, ou seja, o tempo de residência do resíduo no solo para sua completa estabilização.

Na década de 90, no Estado de São Paulo, o termo STRS foi excluido e as possibilidades de aplicação controlada de resíduos em áreas agrícolas passaram a ser estudadas. Essa aplicação somente deveria ter interesse e seria aprovada se tivesse um comprovado beneficio para o solo e, consequentemente, para a cultura e que os locais de aplicação fossem mantidos ambientalmente salvos.

Para tanto, alguns critérios de projeto devem ser adotados de forma que se possa evitar a contaminação do solo e, consequentemente, das águas subterrãneas e superficiais. Além disso, é importante que a presença do resíduo não iniba a atividade microbiana do solo, impedindo a sua biodegradação.

Devese entender que a aplicação de um resíduo no solo é uma forma controlada e adequada de tratamento/disposição e é legalmente regulamentada pelo Orgão Ambiental para alguns resíduos.

A regulamentação da aplicação de determinados resíduos no solo teve inicio no final da década passada, quando surgiram as primeiras normas para orientar essa aplicação.

Uma dessas normas é a P 4.230, (CETESB, 1999a), que define aplicação no solo como sendo a "ação de aplicar o lodo uniformemente sobre a superfície do terreno (seguida ou não de incorporação), ou de promover a sua injeção subsuperficial, de modo a melhorar as condições do solo ou o desenvolvimento geral das culturas implantadas". Esses estudos tiveram início primeiramente visando à utilização dos lodos de sistemas de tratamento biológicos de despejos líquidos sanitários e industriais.

O crescente interesse nessa utilização e o aumento da geração de lodos, com as ampliações e melhorias nas estações de tratamento de esgotos, foram os motivos iniciais desses estudos que estão sendo feitos conjuntamente entre o Orgão Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e o Ministério da Agricultura, (STRAUS, 1999).

Segundo a autora, das discussões técnicas entre esses dois órgãos surgiu o emprego do termo "biossólido", que foi adotado para se definir exclusivamente o lodo resultante do sistema de tratamento biológico de despejos líquidos sanitários.

O biossólido, no Estado de São Paulo, deve apresentar, além das características agronômicas exigidas pelo Ministério, características tais que atendam aos critérios estabelecidos pelo Orgão Ambiental para a sua utilização segura na agricultura.

A aplicação do biossólido é regulamenta pela norma Cetesb P 4.230 - Aplicação de lodos de sistemas de tratamento biológicos em áreas agrícolas - critérios para projeto e operação (manual técnico), de agosto de 1999.

Considerando que nos Estados Unidos e na Europa a prática de aplicação de resíduos em solo é cada vez mais utilizada e regulamentações especificas vêm sendo publicadas, também no Brasil, especificamente no Estado de São Paulo, estudos no sentido de utilizar-se outros tipos de resíduos na agricultura estão sendo conduzidos.

Desses estudos, realizados pelas indústrias interessadas conjuntamente com o Órgão Ambiental do Estado de São Paulo, surgiu a norma P 4.233 - Lodos de curtume - critérios para o uso em áreas agrícolas e procedimentos para apresentação de projetos (manual técnico), (Cetesb, 1999b).

Além dos mencionados, outros estudos vêm sendo conduzidos no sentido de incrementar-se o tratamento biológico de resíduos sólidos, particularmente aqueles gerados em estações de tratamento biológico de efluentes líquidos, quer domiciliares quer industriais.

Salienta-se, mais uma vez, que a disposição controlada de resíduos no solo somente é aceita se for provado o seu beneficio agronômico e que a mesma não acarretará prejuízo ambiental. Para tanto, estudos cada vez mais detalhados devem ser desenvolvidos e para quem se aventura em lançar-se neste caminhos alguns conhecimentos básicos sobre o solo e o resíduos devem estar à mão.

O solo receptor de resíduo para tratamento/disposição

Características dos microorganismos

O solo é, normalmente, considerado um sistema tripartite composto de minerais finamente divididos e sólidos inorgânicos amorfos, resíduos de plantas, animais e microrganismos em vários estágios de degradação e compostos aromáticos poliméricos (húmus), resistentes à degradação.

Estima-se que um vasto número de microrganismos viva no solo, sendo que maioria dessa microbiota é constituída por bactérias.

Quem pretende tratar/dispor resíduos em solo deve conhecer as características gerais dessa microbiota.

As bactérias representam cerca de 25 - 30% dos microrganismos dos solos agrícolas, (Siqueira, 1988). Sua atividade é destacada dos demais microrganismos por apresentarem rápido crescimento e serem capazes de decompor grande variedade de substratos, (Alexander, 1981).

Segundo Siviero (1999), os gêneros bacterianos de maior interesse presentes no solo são Acinetobacter, Agrobacterium, Alcaligenes, Arthrobacter, Bacilius, Brevibacterium, Caulobacter, Celiulomonas,Clostridium, Corynebacterium, Flavobacterium, Pseudomonas, Sarcina, Staphylococcus, Streptococcus e Xanthomonas.

Os fungos são organismos capazes de sobreviver em ambientes extremos, como aqueles desidratados e de pH variável. Teixeira (1993), conseguiu isolar 22 cepas de fungos degradadores de fenol de areia de fundição, em ambientes com umidade próxima de 0%.

Para Alexander (1981), os fungos preferem solos ácidos (em torno de pH de 5,6), mas podem ser encontrados em solos com pH entre 2,0 a 9,0.

Os outros microrganismos presentes no solo são os actinomicetos, que aparecem na forma filamentosa com hífas finas de 0,5 a 2,0 mm.

Segundo Pelczar (1996), os actinomicetos constituem um grupo de microrganismos com características distintas das bactérias e dos fungos, pois apresentam crescimento celular ramificado, semelhante a micélio e métodos específicos de esporulação; são aeróbios; crescem em temperaturas de 25 a 30°C; não toleram pH baixo e preferem os solos com umidade inferior a 85% (Siviero, 1999).

O solo como atenuador de poluição

A comunidade microbiana presente nos solos é ativa e metabolizante e sua atividade está associada aos inúmeros compostos nele existentes. Portanto, numerosos nichos ecológicos são formados a partir da atividade dos microrganismos nos solos. O solo pode ser visto como um vasto local de reciclagem que continuamente recebe e modifica compostos de carbono na tendência de oxidá-los a CO2 e água.

Quando um substrato é adicionado ao solo, este é prontamente utilizado pelos organismos colonizadores pioneiros, favorecendo sua competição, e isso leva a uma seletividade dos mals aptos, dependendo da velocidade de crescimento, rapidez de assimilação de nutrientes e tolerância aos fatores bióticos e abióticos (Cardoso, 1992). Posteriormente, poderá ocorrer alteração na comunidade microbiana, considerando que há uma modificação no substrato, ou seja, alguns microrganismos vão sendo eliminados, dando lugar a outros mals aptos a degradarem os novos substratos.

Sob este enfoque, entende-se que, quando um resíduo é incorporado ao solo, ocorrerá uma alteração na comunidade microbiana do meio, que deverá adaptar-se às novas condições geradas por essa incorporação.

Considerando todas as capacidades atribuidas ao solo, em (1991) concluíram que os sistemas de tratamento de resíduos no solo devem promover, através das propriedades físicas, químicas e microbiológicas, a degradação, a desintoxicação, a transformação e/ou imobilização dos constituintes dos resíduos que estão passando pelo tratamento, minimizando os riscos de contaminação ambiental.

Não obstante as qualidades do solo como atenuador de poluição, exercendo o papel de filtro e imobilizador de grande parte das impurezas nele depositadas, esse pode degradar-se. A capacidade do solo é limitada, podendo ocorrer alteração da sua qualidade devido ao efeito cumulativo da deposição de poluentes. Assim, não é possível desvincular-se o tratamento de um resíduo em solo dos cuidados a serem tomados para não causar rápida contaminação da área.

Um solo pode ser considerado "limpo" quando a concentração de um elemento ou substância de interesse ambiental é menor ou igual ao valor de ocorrência natural.

A Agência de Proteção Ambiental Americana em 1983 já apontava aspectos positivos do tratamentos de resíduos em solo, (USEPA, 1983):

-os resíduos são mantidos na superfície, o que permite a correção de qualquer problema que venha a ocorrer;

-a manutenção é pequena, uma vez que a maioria dos compostos orgãnicos são biodegradáveis e o acúmulo de metais fica restrito à superfície;

-há possibilidade de se tratar resíduo a um custo de implantação e operação relativamente baixos.

Avaliação de resíduos para tratamento/disposição em solo

Caracterização do resíduo de interesse

Quando se fala em tratamento/disposição de um resíduo em solo, o enfoque certamente é resíduos com presença, ou quase essencialmente composto, de orgãnicos e, portanto, passíveis de sofrer modificações pelos microrganismos indígenas do solo, ou até mesmo de exógenos específicos ai introduzidos.

A mistura soloresiduo deve melhorar as propriedades físicas, químicas e biológicas naturais, propiciando a mais rápida decomposição, destruição e/ou atenuação, tanto dos constituintes perigosos quanto dos constituintes orgânicos não perigosos presentes no resíduo.

Quanto aos metals, é esperado que esses sejam atenuados ou imobilizados através das interações físico-químicas com o solo.

Segundo a Agência Ambiental Canadense (CCME, 1989), diversos fatores podem afetar o nível de tratamento biológico de um resíduo no solo, destacando-se:

-tipo de composto orgânico contaminante, uma vez que alguns são prontamente decompostos e outros não, como é o caso dos pesticidas;

-a concentração do contaminante, pois altos níveis desse podem afetar a ação microbiana, enquanto que concentrações limitantes podem não ser suficientes para induzir os microrganismos;

- a presença de inibidores, visto que pode ocorrer, no meio do resíduo a ser tratado, a presença de metais pesados ou de alguns inibidores orgânicos indesejados.

Portanto, como mencionado anteriormente, a primeira etapa no gerenciamento de resíduos deve ser a sua caracterização, tanto qualitativa como quantitativa.

A primeira avaliação levará à definição da origem do resíduo, das etapas nas quais o mesmo foi gerado, da quantidade gerada em cada etapa e dos possíveis poluentes presentes.

No caso dos lodos de estações de tratamento biológico, a caracterização do resíduo é facilitada, principalmente quando se trata de lodo de estações de esgotos exclusivamente domiciliares ou de sistemas de tratamento de águas residuárias de uma única indústria.

Contudo, para uma avaliação precisa do resíduo devem ser realizados os testes laboratoriais, que compreendem as análises do solubilizado, do lixiviado e da massa bruta do resíduo de interesse, segundo as normas da ABNT (1987 a, b, c, d). Somente após serem obtidos os resultados dessas avaliações é que será conhecida a composição desses, definindose, também, presença de metais pesados e/ou de compostos orgânicos agressivos que possam intervir no processo.

O Brasil não possui outras referências padrões para metais presentes em resíduos além dos valores fixados nas normas de classificação ABNT.

A falta de padrões referenciais faz com que os interessados no assunto busquem referências internacionais, nas quais podem ser encontrados valores limites para metais presentes em resíduos e valores permitidos para acúmulo desses no solo no qual o resíduo será tratado/disposto.

Uma referência internacional usada para esse fim é a publicação da EPA 40 CFR 503 - "Standards of the Use and Disposal ol Sewage Sludge". Nela são fixados valores das concentrações dos metais Arsênio, Cádmio, Cobre, Chumbo, Mercúrio, Molibidênio, Níquel, Selênio e Zinco no resíduo e concentrações desses que podem ser acumuladas por hectare de solo no qual o resíduo foi aplicado. No entanto, quando se abre mão do uso dessa publicação éaconselhável o emprego do método EPA 3050 ou do método EPA 3051 (USEPA, 1986) na análise desses metais, uma vez que esses métodos permitem a determinação da totalidade do metal pesquisado presente na massa bruta do resíduo e não somente daquele que está biodisponível.

Ressalta-se que, também nesse caso, os valores de referência são para metais presentes em lodos de estação de tratamento de esgoto.

Para uma varredura mais completa do resíduo a ser disposto em solo, devem ser avaliados, também, outros parâmetros como: pH em CaCl2 umidade; resíduo mineral total e resíduo mineral solúvel e insolúvel; conteúdo de Carbono Orgânico (CO) e de Carbono Orgânico Total (COT); Nitrogênio total; relação C/N, entre Carbono total e Nitrogênio total e relação C/N, entre Carbono orgânico e Nitrogênio total; Fósforo total; Potássio, Cálcio, Magnésio, Enxofre, Manganês, Ferro e Sódio totais, toxicidade; capacidade de biodegradação (avaliação respirométrica); teste de mutagenicidade (teste de Ames).

Outras avaliações mais específicas e aprimoradas, como por exemplo análise de dioxinas e furanos nos resíduos, poderão ser necessárias. No entanto, ressalta-se que a decisão de se fazer essas análises dependerá da caracterização inicial do resíduo.

No caso dos biossólidos, Straus (1999), relata a necessidade de verificação da presença de patógenos (coliformes e Salmonelia sp.) e atratividade a vetores.

Avaliação respirométrica de resíduos

Os microrganismos presentes no solo, embora ocupem pequena porcentagem em seu volume total, desempenham uma função fundamental sobre a matéria orgânica e sobre a sua mineralização. Portanto, o consumo de oxigênio ou a produção de gás carbônico são técnicas geralmente úteis para se avaliar o grau de mineralização de um composto orgânico disposto no solo.

A Norma L6.350 - Solos - Determinação da Biodegradação de Resíduos - Método Respirométrico de Bartha (Cetesb, 1990), prescreve a aplicação do método respiro-métrico desenvolvido por Bartha & Pramer, em 1965, afirmando que o mesmo presta-se para a determinação da taxa de biodegradação da matéria orgânica contida num resíduo quando tratado em solo.

Pela aplicação dessa norma pode-se determinar a taxa de aplicação, a umidade do meio, o balanço nutricional, o pl-l ideal do solo e as condições de manejo do sistema de tratamento que promovam a mistura adequada do resíduo ao solo, permitindo a manutenção da condição aeróbia necessária à degradação, (Cetesb, 1990).

O respirômetro indicado na Norma éum sistema fechado, formado por duas câmaras interligadas, onde ocorrem a biodegradação e a captação do CO2 produzido, o qual será quantificado através de análise química.

O método respirométrico de Bartha é simples e de baixo custo.

Para o emprego desse teste é indicado que previamente se faça o bioensaio de toxicidade aguda do resíduo com a bactéria Photobacterium phosphoreum (Sistema Microtox), (Cetesb, 1987). Esse bioensaio presta-se para a seleção da variação da taxa de aplicação do resíduo nos respirõmetros testes.

No final do período de incubação dos respirômetros, com diferentes concentrações do resíduos, quantifica-se a geração de CO2 acumulada versus tempo. Aquela que corresponder à maior geração de CO² no período corresponderá a taxa de aplicação ideal. Tal teste poderá ser acompanhado com a avaliação de crescimento microbiano em diferentes tempos durante o período de incubação.

A Cetesb, ao prescrever a norma para uso do método respirométrico de Bartha, deixa uma abertura para que condições diferentes das indicadas na norma de referência possam ser usadas, desde que essas sejam explicitamente definidas.

Esse método tem sido empregado pela comunidade científica para avaliação de resíduos a serem tratados em solo.

Casarini et ai. (1988) e Nuvolari (1996), utilizaram o método na determinação da tratabilidade em solo de lodos de estação de tratamento de efluentes líquidos industriais e domésticos. Siviero et aí. (1998), fizeram uso do método para determinar as taxas de aplicação em solo de resíduo cítrico. Siviero (1999), aplicou o método no estudo da biodegradação em solo dos componentes orgãnicos de areia fenólica de fundição descartada do processo produtivo pela perda de moldes, antes do vazamento do metal fundido.

Souza (2000), também empregou o método para aplicação de diferentes taxas de mistura de solo-areia fenólica de fundição. Esta areia, oriunda da desmoldagem de peças fundidas, é o principal resíduo sólido gerado pelas fundições em seu processo produtivo.

Para realizar esta pesquisa, os respirómetros testes foram montados utilizando misturas solo-resíduo nas concentrações de 30%, 60% e 80% em peso dos resíduos e também foram montados respirómetros contendo somente solo (que serviu como referência) e outro contendo somente o resíduo.

O solo utilizado foi coletado de diferentes porções daquele que seria utilizado na cobertura de um aterro sanitário. A umidade desejada para o meio foi conseguida com o emprego de chorume de aterro sanitário, que além de manter a umidade do meio também foi fonte de nutrientes e de microrganismos. A presença dos dois componentes oriundos de aterro (solo-chorume) nos respirômetros de Bartha conduziu o experimento a uma condição em parte semelhante àquela encontrada em um aterro sanitário com recirculação de chorume.

Os testes foram desenvolvidos confor me prescrito pela Cetesb (1990) e as curvas que exprimem a geração acumulada de CO2 para cada um dos respirõmetrosteste no final do período estão apresentadas na Figura 1.

Nesse caso, é importante ter-se em conta que o solo faz a sua parte, é importante contudo, que o homem faça também a sua para preservá-lo para as futuras gerações.

Esta pesquisa, conclui que o teste respirométrico de Bartha mostrou-se eficiente para a avaliação da biodegradação ocorrida nas diferentes misturas solo-resíduo, na presença de chorume, mesmo com baixos teores de compostos orgãnicos presentes. Os melhores resultados foram apresentados pela mistura contendo 30% de resíduo. Essa mistura resultou numa eficiência de 73% na biodegradação da matéria orgânica presente no resíduo, com velocidade média de biodegradação de 8,2 mmol de carbono/dia. Na avaliação do tratamento de areia de fundição em solo, ficou comprovada a biodegradação do resíduo estudado, a qual foi quantificada pela produção de CO2 e pelo aumento da carga microbiana, atestada pela contagem de microrganismos no início e final dos experimentos.

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