A conquista de maior poder aquisitivo pelas classes C e D e o aumento populacional geraram mais resíduos.
Fernando Taquari
O maior poder de renda dos brasileiros nos últimos anos garantiu o crescimento econômico do país e ampliou o mercado de consumo. Mas como diz o velho ditado, tudo tem o seu preço. Neste caso, o aumento no consumo interno – mais especificamente entre as classes C e D – foi, junto com o crescimento populacional, um dos principais responsáveis pela expansão de resíduos urbanos no Brasil. Isso não seria um problema tão grave se o país contasse com políticas públicas mais eficientes e que incentivassem a reciclagem ou a incineração com recuperação de energia, como ocorre em outros países, como a Suécia.
De acordo com a Vega Engenharia, empresa de limpeza urbana com atuação nacional, há um crescimento em torno de 5 % ao ano na quantidade de resíduo sólido gerado. A produção de lixo per capita no Brasil gira em torno de 600 grama/dia. Nas grandes cidades brasileiras, contudo, se produz em média um quilo de lixo diariamente. O descarte tende a ser maior em determinados períodos do ano, uma vez que a geração de resíduos está associada a diversos fatores.
“Em datas comemorativas, como Natal e Dia das Mães, a produção de resíduos sólidos tende a aumentar de forma expressiva, já que o consumo também cresce”, afirma Clarissa Medeiros, coordenadora de sustentabilidade da Amcor PET, empresa líder de mercado no Brasil em embalagens PET. “Ao mesmo tempo que aumenta a quantidade de lixos, fica evidente a necessidade de melhorar a gestão dos resíduos sólidos, ampliar a coleta seletiva, além de conscientizar o consumidor a separar o material reciclável por meio de programas de educação ambiental”, acrescenta Clarissa.
Hoje, apenas 5% dos municípios brasileiros têm coleta seletiva. Além disso, Clarissa calcula que de todo o lixo produzido por ano, 35% são de materiais recicláveis. O problema, contudo, está no fato de que 75% dos resíduos produzidos são encaminhados para os lixões, que são depósitos de lixo sem nenhum tratamento. Outros 14% são direcionados para aterros sanitários, enquanto apenas 11% é reciclado.
“O consumidor pode fazer a sua parte ao separar o lixo em casa. Mas muito do que segue para os aterros sanitários também poderia ser reaproveitado”, diz Clarissa. O índice de reciclagem no país está em 20%, bem baixo quando comparado com outros países desenvolvidos, como a Alemanha (46%). Segundo o Instituto Brasil Ambiente, com este índice de material reciclado, o Brasil perde US$ 10 bilhões por ano. Isso sem contabilizar os gastos com o transporte dos resíduos para os aterros, que estão ficando cada vez mais distantes dos centros urbanos. Clarissa lembra ainda que os parques industriais recicláveis operam com 20% de capacidade ociosa.
Em meio a enchentes e outros problemas decorrentes do aumento de lixo produzido, alguns governos estaduais têm procurado alternativas para solucionar a questão; No Rio de Janeiro, por exemplo, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) lançou neste ano um programa que tem como meta reduzir em 8% a quantidade de lixo produzida. Com a medida, Paes espera economizar cerca de R$30 milhões. Foi implantado um lixômetro que irá informar a quantidade de lixo produzida por dia e por pessoa. A área que apresentar o melhor desempenho será beneficiada com obras nos setores de educação e saúde.
Brasil Econômico
19 de dezembro de 2009